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Crescimento da China causa nervosismo no Brasil

A Bovespa recuou no segundo dia consecutivo e o dólar manteve sua escalada, chegando a custar R$ 1,80, Os resultados da economia chinesa causaram preocupação no mercado. A China cresceu 8,7% no ano passado, acima do esperado por analistas

O movimento de correção visto na terça-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) prosseguiu ontem, provocando um recuo em dois dias de 5,4% da pontuação do índice. O preço da moeda americana bateu o seu maior patamar desde o final de setembro de 2009. Dessa forma, o dólar comercial atingiu o valor R$ 1,801,em um avanço de 0,44%. A onda de nervosismo nos mercados mundias foi em consequência dos resultados da economia chinesa e dos balanços já divulgados nos Estados Unidos.

O governo chinês revelou ontem que o país cresceu a uma taxa de 8,7% no ano passado. A cifra acima das expectativas detonou uma preocupação generalizada de que uma das ``locomotivas`` da economia global tome novas medidas para puxar o freio do crescimento. Esse temor tem precedentes, já que nos últimos dias as autoridades chinesas multiplicaram as iniciativas para elevar o custo do capital e retirar dinheiro de circulação.

A China é um dos maiores compradores mundiais de commodities, principalmente do Brasil. E nesse ambiente de maior nervosismo, o dólar vira o ponto de fuga para agentes financeiros, já preocupados com o fechamento da contas externas brasileiras, num ano em que se espera o aumento das importações.

Câmbio
Profissionais de mercado citam ainda a possibilidade do Fundo Soberano ir às compras no mercado de moeda doméstico para formar suas reservas, num debate que tem sido recorrente nas mesas de operações, mas que na verdade tem dividido operadores. Enquanto alguns falam que o governo não faria ``uma loucura`` no segmento de câmbio, elevando a volatilidade dos preços, outros operadores consideram que essa possibilidade é ``uma bala na agulha poderosa`` que o governo dispõe.

"O mercado está receoso, assustado, e isso tem fundamento``, avalia um operador. Segundo ele, as restrições monetárias na China devem surgir com mais força, na medida em que o gigante asiático se empenha para coibir as bolhas (especulativas) e ter maior controle sobre o crescimento. A China voltou a elevar os juros dos títulos, desta vez os de três meses, e na terça-feira sinalizou com medidas de restrição ao crédito. O Banco do Povo da China (PBOC, na sigla em inglês) já elevou, nos últimos dias, os juros dos bônus de um ano duas vezes.

EUA
Nos Estados Unidos, o número de trabalhadores que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego aumentou 36 mil - maior alta dos últimos 8 meses -, para 482 mil, após ajustes sazonais, na semana até 16 de janeiro. Economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam queda de 4 mil pedidos.


SAIBA MAIS

PIB. O crescimento de 8,7% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas em um país, chinês em 2009, aliado ao aumento dos preços ao consumidor de 1,9% em dezembro, elevou os temores de que o governo chinês precisará apertar mais o crédito e desacelerar seu pacote de estímulo para evitar o superaquecimento da economia.

PREVISÃO. Em 2010, o PIB deve crescer entre 9,5% e 10%, segundo previsões feitas hoje pela maioria dos economistas dos grandes bancos situados em Xangai e Hong Kong. A dosagem no aperto das políticas expansivas é a grande questão que aflige o Partido Comunista. O início da desaceleração econômica chinesa, no segundo semestre de 2008, foi causado por medidas que visavam conter a disparada de preços de imóveis nas grandes cidades e conter a inflação, que chegou a um recorde de 8,9% em fevereiro de 2008.

ANALISTAS. Para muitos analistas, as medidas para conter a economia aquecida e a inflação foram fortes demais -e ainda coincidiram com a recessão global que atingiu os três maiores mercados da China: União Europeia, Estados Unidos e Japão.

Fonte: Jornal O Povo/Economia

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